
A Justiça do Amazonas autorizou Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja Cardoso, a progredir do regime fechado para o semiaberto. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (23) pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, da 1ª Vara de Execução Penal de Manaus. Ademar cumpre pena de 10 anos e 11 meses por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
A progressão foi autorizada após o reconhecimento de 364 dias de remição por atividades de estudo e trabalho e pela aprovação no Enem 2025. Com o abatimento, o prazo para a mudança de regime, que estava previsto inicialmente para 27 de outubro de 2027, foi antecipado. A decisão também considerou o bom comportamento carcerário, a ausência de faltas graves e o resultado favorável do exame criminológico. O Ministério Público se manifestou a favor do benefício.
A mudança de regime não extingue a condenação nem significa liberdade sem condições. Após deixar o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), Ademar deverá ser encaminhado à Unidade do Regime Semiaberto, em Manaus, para cadastro e instalação de tornozeleira eletrônica.
Entre as condições impostas estão recolhimento domiciliar das 22h às 6h, de segunda a sexta-feira, e permanência em casa nos fins de semana, feriados e dias de folga. Poderá sair para trabalhar, estudar ou receber tratamento de saúde, conforme as regras fixadas pela Justiça.
Ademar também não poderá mudar de endereço nem deixar Manaus sem autorização judicial. A decisão proíbe o porte de armas, o consumo de bebidas alcoólicas e drogas e a prática de novas infrações penais. Ele deverá atender às convocações da Justiça e do sistema prisional, portar documento de identidade e cópia da decisão e ressarcir eventuais danos ao equipamento de monitoramento.
Se não houver tornozeleira disponível quando ele se apresentar, poderá ser liberado mediante assinatura de termo de compromisso, com uma nova data marcada para a instalação do equipamento. O descumprimento das condições pode levar à perda do benefício.
Condenação no caso da cetamina
Ademar foi preso em maio de 2024, após a morte da irmã. A investigação sobre a distribuição de cetamina levou à Operação Mandrágora, conduzida pela Polícia Civil do Amazonas.
Em julho deste ano, Ademar e a mãe, Cleusimar Cardoso, foram condenados a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo o Ministério Público do Amazonas, os dois e Verônica da Costa Seixas, ex-gerente de um salão de beleza, integravam o núcleo central do esquema investigado. A acusação sustentou que salões de beleza e uma seita religiosa teriam sido usados como fachada para o fornecimento da substância.
A apuração sobre as circunstâncias da morte de Djidja tramita em processo separado. A progressão concedida a Ademar diz respeito à forma de cumprimento da pena e não altera a condenação nem interfere nos recursos apresentados pela defesa.
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