
Sargento Salazar (PL) voltou a atacar Alessandra Campelo (PSD), candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz, depois do episódio nos bastidores do debate da TV Norte/SBT, nesta terça-feira (13). Em vídeo publicado nas redes sociais, chamou a deputada de “passa-panos” e a acusou de ter protegido politicamente os governos de Wilson Lima e Roberto Cidade. A reação prolonga a controvérsia e aumenta o risco de desgaste para a campanha de Maria do Carmo (PL).
Alessandra relatou ter sido ameaçada por Kidson “Doido” Maia, a quem atribuiu gestos simulando cortar seu pescoço. Questionado por jornalistas, ele deixou o local sem explicar a gesticulação. A deputada afirmou que pretende buscar responsabilização criminal.
Também há questionamento sobre um movimento de Salazar levando a mão ao próprio pescoço. Esse gesto, isoladamente, não permite estabelecer que ele reproduziu a ação atribuída a Kidson ou determinar sua intenção. A cobrança sobre o deputado eleito, contudo, ganhou outro fundamento com sua resposta pública ao episódio.
Salazar afirmou que “joga limpo”, mas voltou a recorrer a um apelido para desqualificar Alessandra e mencionou a exposição de familiares e de informações que diz conhecer. No contexto de uma denúncia de ameaça, referências dessa natureza podem ser interpretadas como pressão sobre a adversária e ampliar a percepção de intimidação.
Questionar o histórico político de Alessandra é legítimo. Sua atuação durante os governos anteriores pode ser confrontada com votos, declarações e decisões. O problema surge quando essa cobrança vem acompanhada de insinuações sobre familiares, sem esclarecer a relevância pública do que se pretende apresentar.
A resposta também desloca o foco do episódio original. Em vez de esclarecer a conduta atribuída a Kidson ou reconhecer a gravidade do relato, Salazar abre uma nova frente de ataque contra a mulher que afirmou ter se sentido ameaçada. Politicamente, mantém a controvérsia em circulação e oferece à chapa adversária novos argumentos para cobrar respeito e limites.
Para Maria do Carmo, o custo está na contradição com seu próprio discurso. A candidata afirma defender uma disputa no campo das ideias, mas um de seus principais apoiadores insiste em personalizar o confronto. Sua capacidade de conduzir aliados passa a integrar a avaliação de sua campanha.
O episódio também exige que a discussão sobre violência contra a mulher tenha consequências práticas. Uma campanha precisa demonstrar como reage quando uma adversária relata intimidação, inclusive quando a conduta questionada envolve pessoas próximas de seus apoiadores. Repudiar ameaças e defender a apuração é uma posição que independe das divergências eleitorais.
Não há dados que permitam medir eventual perda de votos para Maria. O risco estratégico, porém, é claro: cada nova provocação prolonga uma pauta desfavorável, reduz espaço para propostas e permite que Omar e Alessandra ocupem a posição de alvos de ataques pessoais.
Depois de oferecer a Omar uma provocação que o senador incorporou à própria campanha, Salazar volta a produzir uma reação potencialmente mais útil ao adversário do que à candidata que apoia. Ao insistir no confronto pessoal, coloca Maria diante de uma escolha: estabelecer limites aos aliados ou continuar tendo seu discurso de debate de ideias confrontado pelo comportamento deles.
Mín. 25° Máx. 36°