
O senador e candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) decidiu incorporar à própria campanha o apelido de “capivara”, utilizado por adversários políticos para ironizar sua aparência. Durante uma entrevista, o candidato agradeceu ao deputado federal eleito Sargento Salazar (PL) por ter resgatado a expressão e aproveitou a oportunidade para criticar o uso de apelidos depreciativos contra outras pessoas.
Nos bastidores da entrevista, integrantes da equipe de comunicação de Omar utilizavam acessórios em formato de capivara. Logo na primeira resposta, o senador fez questão de mencionar a provocação. “Quero agradecer ao Salazar. Ao tentar me ridicularizar ele me deu a chance de homenagear esse animal que é um símbolo simpático da nossa fauna”, declarou.
O apelido não é novo. A expressão passou a circular entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a CPI da Covid, presidida por Omar Aziz em 2021. Na época, o próprio Bolsonaro chegou a mencionar a alcunha em entrevistas. Agora, Salazar decidiu resgatá-la durante a campanha de Maria do Carmo (PL), adversária do senador no segundo turno.
Apesar de incorporar a capivara à comunicação eleitoral, Omar criticou o comportamento de quem utiliza características físicas ou pessoais para ridicularizar outras pessoas. Segundo ele, práticas que antes eram tratadas como brincadeiras precisam ser revistas.
“Quando eu era adolescente, a gente via uma pessoa com deficiência e apelidava. Fazia o mesmo com preto, com autista, com obeso. Mas quando você cresce percebe que isso não cabe mais. É deselegante, descortês e pode causar traumas”, afirmou.
O senador também aproveitou a referência a Salazar, que é policial militar, para recordar uma medida de sua gestão como governador do Amazonas. “Eu sei que o Salazar faz isso por causa da campanha, mas também tenho certeza de que ele é grato porque quando fui governador paguei o maior salário do Brasil aos policiais”, declarou. A afirmação sobre os salários foi feita pelo candidato e não foi acompanhada, nas informações disponíveis, de dados comparativos.
A candidata Maria do Carmo também participou da repercussão do apelido. Em vídeo publicado nas redes sociais, apareceu segurando uma capivara de pelúcia e afirmou: “Esta é a capivara da Madá”. A gravação, entretanto, foi posteriormente excluída de seu perfil.
O episódio ganhou outro capítulo depois que Maria do Carmo publicou um vídeo denunciando uma suposta campanha de difamação contra ela. Na gravação, afirmou que nunca ofendeu adversários ou pessoas que pensam diferente e defendeu que a política seja conduzida no campo das ideias.
A sequência dos acontecimentos colocou em evidência as diferentes formas como os candidatos reagiram à provocação. Enquanto Maria do Carmo retirou a publicação em que participava da brincadeira, Omar passou a utilizar a capivara como elemento de sua comunicação eleitoral, sem deixar de condenar o uso de apelidos ofensivos.
A discussão ocorre em meio à intensificação da disputa pelo Governo do Amazonas, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro. O episódio também evidencia como uma provocação originalmente dirigida à aparência de um candidato pode ganhar novos significados quando incorporada à comunicação política.
Mín. 25° Máx. 36°