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Amazonas registra redução de 55,7% nos focos de calor, mas combate às queimadas deve continuar até dezembro.

Governador Roberto Cidade acompanhou operações no Corpo de Bombeiros; força-tarefa mobiliza 1,5 mil profissionais, mais de 100 viaturas e 18 aeronaves, sendo 16 disponibilizadas pelo Governo Federal

22/10/2026 às 04h58
Por: Eduardo Menezes
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Amazonas registra redução de 55,7% nos focos de calor, mas combate às queimadas deve continuar até dezembro.

O Amazonas registrou uma redução de 55,7% nos focos de calor, segundo levantamento apresentado pelo Governo do Estado com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Apesar da diminuição das ocorrências, o cenário ambiental ainda exige atenção das autoridades, que mantêm uma operação de combate aos incêndios florestais envolvendo aproximadamente 1.500 profissionais, mais de 100 viaturas e 18 aeronaves.

Nesta quarta-feira (21), o governador Roberto Cidade acompanhou as atividades na sala de monitoramento do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), onde recebeu informações sobre o avanço das operações e a situação dos municípios mais afetados pelas queimadas.

Segundo os números apresentados, o Amazonas contabilizou 1.372 focos de calor entre os dias 1º e 11 de outubro e 608 entre os dias 11 e 21, representando uma queda de 55,7% entre os períodos considerados.

Embora os indicadores apontem melhora, os dados não significam necessariamente que todos os incêndios tenham sido extintos. Os focos de calor identificados por satélites representam anomalias térmicas detectadas no território e não correspondem, obrigatoriamente, ao número de incêndios florestais individualizados.

Durante a visita, Roberto Cidade afirmou que a mobilização das equipes será mantida diante da possibilidade de novos episódios de queimadas até o encerramento do ano.

“Estamos vencendo mais uma batalha, mas a guerra vai até o final do ano, porque a gente não sabe como o tempo irá se comportar. O Governo do Amazonas está trabalhando incansavelmente para combater os incêndios, com muita dedicação e responsabilidade”, declarou.

A estrutura aérea mobilizada para enfrentar a crise passou de 11 para 18 aeronaves. Desse total, 16 foram disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Governo do Amazonas, evidenciando a participação majoritária da União no apoio aéreo às operações.

A frota reúne oito aviões Air Tractor, duas aeronaves KC-390 e oito helicópteros, empregados em diferentes atividades de apoio logístico, deslocamento de equipes e combate aos incêndios, conforme a capacidade operacional de cada equipamento.

O reforço federal também envolve a participação das Forças Armadas. O Corpo de Bombeiros iniciou a capacitação de 50 militares da Marinha do Brasil, que deverão atuar nas áreas consideradas mais críticas.

O Amazonas recebeu ainda 30 profissionais enviados pelo Governo de São Paulo, sendo 25 bombeiros especializados no combate a incêndios e cinco integrantes da Defesa Civil estadual.

A mobilização ocorre em 36 municípios considerados prioritários, onde as condições ambientais e a incidência de queimadas exigem maior concentração de recursos humanos e equipamentos.

Na capital amazonense, os indicadores de qualidade do ar também apresentaram melhora. Na manhã de quarta-feira, sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram concentrações de material particulado entre 27,4 e 33,9 microgramas por metro cúbico em diferentes pontos de Manaus.

Nos locais monitorados, a classificação foi predominantemente moderada, representando uma melhora em relação aos episódios recentes de poluição atmosférica intensa que atingiram a cidade.

Entretanto, a redução das concentrações de poluentes não elimina os riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A qualidade do ar também pode variar significativamente conforme as condições meteorológicas, a direção dos ventos e a ocorrência de novos incêndios.

Além do combate direto às chamas, o Governo do Amazonas informou que mantém ações de fiscalização e prevenção para identificar responsáveis pelo uso irregular do fogo.

O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, destacou que a operação também envolve a atuação das forças de segurança na investigação de possíveis crimes ambientais.

“Essa operação não é apenas de combate a incêndios, ela também envolve a investigação e a repressão aos crimes ambientais. Por isso, reforçamos que você não pode atear fogo em hipótese alguma. Quase a totalidade dos incêndios tem origem humana. Se você insiste em atear fogo, o Estado, por meio das polícias, irá identificar e responsabilizar todos aqueles que insistem em cometer crimes ambientais”, afirmou.

A declaração reforça a necessidade de identificar os responsáveis pelos incêndios provocados deliberadamente ou por práticas irregulares de manejo do solo. Entretanto, o balanço apresentado pelo governo não detalha quantos suspeitos foram identificados, quantos procedimentos investigativos foram concluídos ou quantas pessoas foram efetivamente responsabilizadas criminalmente.

No campo operacional, o Estado informou a contratação de mais 153 brigadistas florestais pelo programa Floresta em Pé, além da entrega de viaturas equipadas com kits de combate a incêndio e equipamentos multimissão.

As ações estão distribuídas entre diferentes programas estaduais. A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde desenvolve atividades em 33 cidades.

Já a Operação Alerta Fogo concentra esforços na fiscalização do uso irregular do fogo, utilizando drones e viaturas equipadas com conexão à internet via Starlink. As equipes podem aplicar multas e determinar embargos administrativos quando identificadas infrações ambientais.

De acordo com o CBMAM, entre 1º de junho e 20 de outubro foram registradas 3.789 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, a corporação informou ter atuado no combate a 23.527 focos, sendo 4.708 na capital e 18.819 no interior.

Os números, embora expressem a dimensão da mobilização, utilizam indicadores diferentes e não devem ser interpretados como equivalentes. As ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros e os focos de calor identificados por satélites seguem metodologias distintas de contabilização.

Entre as medidas preventivas adotadas pelo governo está a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o território amazonense, ressalvadas as exceções previstas na legislação.

Também foram decretadas situações de emergência com duração de 180 dias nas áreas afetadas pelos incêndios florestais e em todo o estado em razão da estiagem, permitindo a adoção de medidas extraordinárias de resposta.

As iniciativas incluem atividades de educação ambiental que, segundo o governo, alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026.

O monitoramento por imagens de satélite, realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), também integra a estratégia de identificação de focos de calor e direcionamento das fiscalizações.

Apesar da melhora nos indicadores, a crise ambiental expõe a necessidade de transformar as ações emergenciais em uma política permanente de prevenção, fiscalização e responsabilização.

A redução dos focos de calor representa um resultado positivo, mas ainda não permite estabelecer quanto dessa diminuição decorre diretamente das operações de combate e quanto pode estar relacionado a fatores meteorológicos, como a ocorrência de chuvas e mudanças nas condições atmosféricas.

Também permanece necessária a apresentação de um balanço consolidado das investigações sobre a origem dos incêndios, incluindo autos de infração, multas efetivamente recolhidas, inquéritos concluídos e eventuais responsabilizações criminais.

O desafio do Amazonas não se limita a apagar os incêndios que já começaram, mas a impedir que novas queimadas se repitam e a demonstrar que a destruição ambiental terá consequências concretas para seus responsáveis.

Com a previsão de manutenção das operações até o fim do ano, a efetividade da resposta governamental deverá ser medida não apenas pela redução temporária dos focos de calor, mas também pela capacidade de prevenir novos incêndios e evitar que a população volte a enfrentar os níveis críticos de fumaça registrados neste mês de outubro.

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